
Ele virá, sei que virá!
Pede que eu deixe a porta encostada
E que me fará feliz da maneira almejada
Vem! Toma posse!
De forma que eu goste
Com liberdade sonhada
Antes de começar a invernada
Guardo comigo cada visita sua
Me faça buscar o livre, me leve para as ruas
Que a inveja dos covardes se acentua
E tu regresses sob a luz da lua
A demora é amarga
Vem e minha tez afaga
Fagueiro assim e a dor apaga
Existencialmente isso se alarga
Presença que festejo ao lembrar
Vem depressa e não se vá
Meu querido redentor
Me devolve o esplendor
Vem com todo seu amor
E me arranca desse ardor
Liberdade vem comigo
Faz de mim o seu abrigo
Arrebata meu anseio
E me faz viver nos meios
Lhe desejo mais que tudo
Me prometa ficar mudo
Onde tudo é absurdo
Protegendo com esse escudo
Querem afanar meus planos
Isso tudo é um engano
Venha e se torne perene
Bem do jeito que eu me lembre
Liberdade, luz, verdade
Para voltar ver a cidade
E esquecer os tais alardes
Me fazendo outro de verdade
Por enquanto vou sofrendo
E as perdas remoendo
Vem e me leva para o alto
Sim, me toma de assalto!
Me mostra o lado bom das pessoas
Minha carne assim ressoa
E eu vejo a vida boa
Tudo lindo como as loas
Que ao ouvir me deixa á toa
Quero seguir adiante
Como outrora qual infante
Hoje quero o delirante
E na luz sigo adiante
Te espero emocionante.
(CÍCERO COSTA KINKAS
