
O tic-tac do relógio me atordoa
Estou aqui na sala, sentado e o tempo voa
Num silêncio que só o relógio desacorçoa
Uma solidão que em minha mente agora ecoa
Quero alguém pra me fazer companhia
E a solidão me abraça fria
Meu peito numa agonia
Espero dormir á noite assim que terminar o dia
A sinfonia de dor da solidão
Abala e ritmifica meu coração
Me deixe ter por perto uma alma então?
Pois na boca a solidão me salga sendo assim meu quinhão
Uma prisão sem muros
Por dentro ouço o som dos urros
Na carne um trilhão de furos
Na presença de outros, posso me sentir seguro?
Um silêncio lento
Desde muito tempo
Me esqueço de seu advento
Por dentro só sou vento
A solidão em mim há muito se instalou
Preso além dessas paredes estou?
Um grito por alguém na garganta sufocou
Abraçado a solidão por muito já me vou
E assim continuo, minha mente constatou.
(CÍCERO COSTA KINKAS)
