
Do que fala o poeta?
Do coração e sua porta aberta
Quando entra lá alguém e vê a casa deserta
E o sentimento que na cerne despertaFala de muitas coisas com certeza
Na realidade de mosaicos
E de seu comportamento laico
E de tudo que habita em suas redondezasCertamente fala do amor
Dessa emoção que nos causa ardor
Que sensibiliza e deixa em flor a pele
Sentimentos que o tempo cause e reveleNão fala tão somente
De um coração ardente
Mas, do oposto sentimento
Do ódio que a muitos causa sofrimentoTambém fala das fases da lua
Essa namoradinha que no céu flutua
Mesmo sabendo que ela não é só sua
Mesmo tendo no leito uma mulher toda nua
Depois do coito vai e pela rua
Ergue os olhos aos céus e se volta a amá-la de forma cruaFala das razões da existência
Da força, da coragem, da resistência
Da luta, da conduta, da complacência
Do vento, do calor, da sofrência
Do oculto, da dúvida, da evidência
Do gingado da pequena e sua malemolência
Da rosa, da flor, da roda de samba
Da andorinha que no céu descambaDa chuva de verão
Dos danos que essa lhes trarão
Da natureza
Dos homens e de suas certezas
Da mulher em estado interessante
Que depois de nove meses vai embalar seu infanteDa bebida psicodélica
Do semblante puro de Angélica
Da destruição bélica
Do frio e suas brisas gélidasDo bichinho que adormece no colo
Da semente que irrompe o solo
Do mar, do brilho no olhar
De quem pela primeira vez descobre o que é amarO poeta fala do quê quiser enfim
Sou poeta e falo até de mim
Pra terminar assim
Todo poeta é coração, ah, sim!!
(CÍCERO COSTA KINKA)
