
Salgada é a água
É o choro de minha mágoa
Que nesse desespero amarga
A desventura dessa toada
Quero dizer o que estraga
Imundície que o peito traga
Desvairada e qualificada
Sai de mim desarrazoada!
Infeliz por vezes sou
Mas, vivendo ainda vou
Com o pranto que brotou
Da alegria que esgotou
Positivo hoje me faço
E viver o desembaraço
D’um novo ser que me nasce
Que a tristeza assim me passe!
Um sorriso assim me brota
Felicidade bate á porta
Novo ser que se aporta
Com fulgor que não desbota
A vida é assim
Alegria e tristeza
Pro plebeu e pra princesa
Alegria é de fato o que todo mundo almeja
Mas, tristeza ninguém quer
Seja homem, seja mulher
Ninguém quer andar de ré
Seja ateu, ou quem tem fé
As duas bem dosadas
Ora faz a vida boa, ora faz a vida amarga
Esse é da vida o tempero
E não vejo em mim desespero
O ideal é esperar
Lágrimas salgadas como o mar
Isso logo vai passar!
E sorriso no seu rosto a alegria vai botar
Viva os dois lados da vida, sem assim se exasperar!
(CÍCERO COSTA KINKAS)

Cícero, seu poema “Os Dois Lados da Vida” é uma verdadeira ode à dualidade humana — dor e alegria coexistindo como partes inevitáveis do existir. Você constrói uma trajetória emocional que começa na mágoa e termina na aceitação madura da vida como equilíbrio.