
Que vi da janela tão linda cor
Que limpa se fez na manhã de domingo
Exaurindo toda aquela penosa dor
Me vendo na selfie, alegre e sorrindo
Pulsa nas veias com muito refinamento
Enquanto vivo poder eu ostento
Não veem que a cor que eu trago por dentro
Me entrega a nobreza sem nenhum tormento
Um príncipe ou rei
Os dois eu bem sei
Azul real é acima da lei
O sangue que corre jamais outorguei
Suntuosa essa cor
Que corre nas veias sem medo ou ardor
Que faz mais por mim e aumenta o amor
Esperando em Maio abrir uma flor
Desde muito cedo o manto adornou
E veio o mal que o rubor deixou
Substituindo com força, impôs e tomou
Em todo meu rosto ficou e imperou
Do azul boas lembranças eu trago
Que adiro, e as outras cores embargo
Outras cores me trazem um gosto amargo
São cores sem requinte que deixo de lado
Ainda garoto, assim é meu tino
Correndo e brincando tal qual um menino
No silêncio adulto total libertino
Por dentro saudades matizes vestindo
Representas toda minha vida
Não penso em deixar a cor preferida
Que cobre meu corpo e também as feridas
Na aquarela da origem igual Kahlo Frida
Azul, azul, azul
Cores do norte, cores do sul
Que em outros idiomas se diz blau ou blue
Que cobre meu corpo escondendo meu nu.
(CÍCERO COSTA KINKAS)
