
Redenção a este
Que por vezes se viu sozinho
Sem amor, sem apoio, sem destino
Pobre infante, pobre menino!
E no caminho sem carinho
Colheu flores secas com espinhos
Martírio que sangra por dentro e por fora
E nem prestou atenção na aurora
Às cegas no breo
Desejando vencer no apogeu
E o que era só seu
No caminho de pedra se perdeu
Redenção, redenção, redenção!!
É o que brado sempre
Qual é a alma que se fez presente
Amigos, irmãos, parentes?
Só peço aos céus algo diferente
Para evidenciar-me feliz
Eu, por tanto tempo aprendiz
Das dores que me fiz vestir,
comer, beber, e engolir
Mas, nem por isso desisti!!
Força! E quem sabe assim seguir
Mestres da luz
Abram caminho
Liberem meu estreito de Ormuz
E nele me embrenho sozinho
Muito grato estou
Da veia que não dilatou
Da linda ave que voou
Daquele que não me enganou
O peso do fardo me impõe
Alivia!! Ó céus!!
Desata das mãos os grilhões
Pr’eu beber o dulcíssimo mel
As incoerências pintam a vida de dúvidas
A clareza vem dos atos
Porém, as certezas são fúlgidas
Na alma as cicatrizes são marcos
As experiências são dolorosas
Cuide-se, pois, no caminho
Mas, com a boca nervosa
Não vá mastigar os espinhos
Te amo, te adoro e te quero
Me entregue de vez meu império
Afaste de mim vitupérios
Para evitar de vez cemitérios
Viver ou não é o grande mistério.
(Cícero Costa Kinkas)
