
Essa é a vez, essa é a vez
Vou declarar enfim minha certidão de lucidez
Pois não se vê rubor na minha tez
Que só deixou em mim transtornos e insensatez
Hoje já não são frequentes os passeios
Que foram declarados outrora meus anseios
E agora aqui jogado de escanteio
Não tendo alma viva pra conviver no meu meio
Essa é a vez, essa é a vez
Vou declarar enfim minha certidão de lucidez
Quero voltar a vida acadêmica
Fazer uso da minha posse neurogênica
Os remédios trazem em mim ruborização endêmica
Prefiro não tomar para não viver de forma transgênica
Essa é a vez, essa é a vez
Vou declarar enfim minha certidão de lucidez
Alterou-me a fobiassocial
Que só vem com remédios e faz mal
Me internou de forma desleal
E impediu-me de viver assim meu Carnaval
Essa é a vez, essa é a vez
Vou declarar enfim minha certidão de lucidez
Tem razão a timidez não pragmática?
Que me entrega a solidão enfática
Tomar remédios enfim é uma lástima
Quem declarou foi assim bem emblemática
Hoje aposentada sem cuidador e nem reumática
Essa é a vez, essa é a vez
Vou declarar enfim minha certidão de lucidez
Fazendo amizades, amores, e vaidades
Com tino responsável, vivendo meu alarde
Sendo bem tratado assim pela sociedade
Sem remédios e vivendo de verdade
Não vou ao HMCL pra garantir enfim a social equidade
No peito só amor e expressa liberdade
Essa é a vez, essa é a vez
Vou declarar enfim minha certidão de lucidez.
(CÍCERO COSTA KINKAS)

Muito lindo esse
Que bom reconhecer que não podemos ser panacéia, ou seja, o remédio de todas às dores humanas. Aqui, o Kinkas se encyno ápice da sua produção textual, o recorte atual da busca do equilíbrio da lucidez! Mas, será um certificado seguir a bula dos remédios indicados?! Ou será a idealização da normalidade uma fantasia para não se perder o Carnaval?!